
Era 1º dia de IGOR na faculdade. Acordou cedo, depois de uma noite mal dormida devido a ansiedade do dia seguinte. Esperava a anos o que agora estava prestes a acontecer. Já de manhã tomou seu banho no chuveiro frio de sua casa. Havia um problema no chuveiro que não aquecia a água direito. Ao entrar em seu quarto, pegou sua melhor camiseta no guarda-roupas, vestiu uma calça transada e foi para a cozinha ainda descalço tomar seu café e calçar seu tênis vermelho ao mesmo tempo. Engoliu aquele pão adormecido com manteiga e café, pois parecia que sua preocupação era experimentar o seu novo tênis ainda mais que era seu primeiro dia na faculdade.
IGOR se interessava muito por literatura estrangeira e história do Brasil, costumava fazer os trabalhos de Inglês e literatura para seus irmãos além de cumprir com suas próprias obrigações escolares. Era um rapaz dedicado e estudioso. Mas não se dava muito bem com números. Nove horas, a buzina tocara lá fora e o coração do rapaz de 18 aninhos bateu forte e ele ainda não tinha arrumado sua mochila com seu material escolar.
Pegou depressa um caderno e uma caneta, colocou dentro de uma mochila preta de duas cordas que se coloca nas costas e foi para fora de casa onde o carro de LEONARD está parado a espera-lo. Bateu a porta do Chevete azul, sentou-se no banco da frente e com um CD todo rabiscado na capa, insistiu para o amigo colocasse a faixa 5 para que escutassem. Era daqueles rocks pesados, LEONARD assustou-se perguntando ao amigo que CD era este pois ele sabia que IGOR jamais gostava daquele estilo musical. IGOR permaneceu calado escutando seu som inerte ao espanto do amigo. No caminho da faculdade mais duas paradas. A primeira era para comprar alguma coisa para comer, pois LEONARD ao contrário do amigo não havia comido nada. Pararam perto de uma padaria onde LEONARD comprou biscoitos recheados para irem comendo durante o trajeto. A segunda vez que pararam foi para mexer com duas garotas que estavam no ponto de ônibus em direção da faculdade. Claro, deram uma carona para as duas.
Toda essa cena chata e cheia de detalhes era para explicar como nasceu um crítico que resolveu escrever suas considerações a respeito da vida, do pensamento humano e da filosofia. Desejarei fazê-lo aqui de forma aplausiva obedecendo regras que foram para mim construídas e desconstruídas. Aliás, onde caberia criar regras em meu próprio livro? Ainda mais sabendo que as regras são, de fato, criadas por alguém no intuito de se fazer manter qualquer outro pensamento, seja ele qual for.
Pretendi escrever um tratado cheio de conceitos que eu mesmo construí e outros que desconstruo no decorrer do texto, portanto o leitor terá total liberdade, se assim o entender melhor, concordar ou não.

Existem muitos IGOR’s e LEONARD’s em nós, tão diferentes um do outro, não me refiro somente na condição financeira que eles se diferenciam, mas também na valorização de valores e conquistas que ambos fizeram ou procuram fazer. Mas de uma coisa podemos garantir que eles tem em comum: o objetivo.
Onde não há objetivo, não há possibilidades. Quando nos dedicamos a algo, estamos traçando metas, ações, formas de fazer, para se chegar onde desejamos. O objetivo é um desejo que temos transformado em idéias, pensamentos, projetos e ações. É somente através do desejo que vivemos, compramos, comemos, amamos, que somos seres humanos.
No decorrer desta obra vamos analisar o que nos faz desejar, o que nos impulsiona, o que nos influencia e, se conseguirmos retirar tudo o que nos é oferecido pelos outros, o que nos é colocado, imbutido em nós, poderemos então perceber, de fato, quem realmente nós somos. Este é o caminho para se conhecer a si. Esvaziando-se de tudo e qualquer outro pensamento colocado em nós, que muitas vezes se tornam partes de um todo.
Entender o homem não é fácil, entender os sonhos, anseios não será difícil se sabemos conhecer a nós mesmos. Não vamos esquecer que podemos aprender com os outros, isso não significa que vamos pensar como ele, mas sim, vamos construir coisas tendo como base o desejo despertado pelo outro. O outro nos desperta o desejo. E o desejo é incontrolável.
Tony Queiroga

Freedom – não há razão da existência sem liberdade.
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